Um bebê de 16 meses, saudável até então, foi avaliado por irritabilidade recente e erupção papulopustular disseminada.
Não havia febre nem sinais graves; a irritabilidade persistiu por cerca de uma semana. As vacinas estavam em dia e não havia outras queixas.
Histórico: ele frequentava uma creche com muitos contatos; dois colegas também apresentaram erupção recentemente. Sem viagens recentes.
No exame, apresentava comportamento levemente inquieto, sinais vitais normais e erupção escoriada nas mãos e pés, distribuída pelo corpo.
A hipótese mais provável foi infecção por Sarcoptes scabiei, ou seja, sarna generalizada.
Em bebês e crianças pequenas, a sarna pode surgir com prurido atípico, exibindo lesões nas palmas e plantas pela pele mais fina; surtos familiares costumam incluir lesões entre os dedos.
O diagnóstico é clínico, podendo ser confirmado por raspagem para detectar o ácaro, suas partes ou fezes ao microscópio.
Tratamento clássico: permetrina 5% em todo o corpo e couro cabeludo, deixado por 8–14 horas e repetido após uma semana para eliminar ovos. Em recém-nascidos, usa-se sulfeto de enxofre 10%; o crotamiton 10% é alternativa menos tóxica, porém menos eficaz.
Como alternativa em crianças estáveis com infestação generalizada, a ivermectina pode ser usada em duas doses de 200 mcg/kg com intervalo de 7 dias; disponível como comprimidos de 3 mg, que podem ser preparados em solução.
O caso apresentado foi tratado com ivermectina; dados de segurança mais recentes em crianças pequenas foram divulgados em novembro, motivando atualização do tema, com resumo do estudo apresentado na reunião da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene em Toronto.
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