Impostorismo e perfeccionismo disfuncional impulsionam burnout entre profissionais de oncologia, aponta estudo global
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Impostorismo e perfeccionismo disfuncional impulsionam burnout entre profissionais de oncologia, aponta estudo global

Nova pesquisa com 542 profissionais da oncologia de várias regiões revela que mais de 40% vivenciam sensações de impostor com frequência, e cerca de um terço exibem um perfil de perfeccionismo prejudicial, ambos elevando o risco de burnout. Os dados, coletados por meio de questionário internacional, indicam que mais da metade já experimenta burnout e que mais de 60% apresentam altos níveis de exaustão emocional. Segundo os autores, burnout, síndrome do impostor e perfeccionismo disfuncional são amplamente presentes entre oncologistas, sugerindo um fenômeno de alcance global. A síndrome do impostor envolve sensação de fraude e autocriticismo, levando indivíduos a atribuir conquistas à sorte em vez de mérito. Quem sofre desse transtorno pode se sobrecarregar para provar valor, com medo de que colegas descubram que não merecem o posto. Em especialidades de alta demanda como a oncologia, cognições de impostor e autocriticismo impulsionado pela discrepância podem aumentar a exaustão emocional e a despersonalização, prejudicando o senso de realização. A investigação avaliou a relação entre impostorismo e burnout em 542 profissionais da área, com maioria entre 30 e 39 anos, maioria mulheres, grande parte branca e predominância de oncologistas clínicos, principalmente na Europa. Foram usadas escalas específicas para medir impostorismo (CIPS), perfeccionismo (SAPS) e burnout (MBI). A pontuação média no CIPS ficou em 57,81; 34,1% tinham impostor frequente e 9,8% relataram sentimento intenso. A maioria relatou burnout (56,1%), com altos índices de exaustão emocional (60,5%) e despersonalização (51,8%). Além disso, 34,1% obtiveram baixos escores de realização pessoal e 38% apresentaram um perfil de perfeccionismo disfuncional. Os autores destacam que o perfeccionismo disfuncional combina metas irreais com autocriticismo severo, distinguindo-o do perfeccionismo adaptativo. Foi observada associação significativa entre pontuações de impostor e burnout, bem como entre discrepância de perfeccionismo e burnout (P<0,001). A renda menor também se correlacionou com burnout (P<0,001). Os resultados indicam uma prevalência de burnout alarmante entre os participantes da pesquisa. Profissionais com menos de 30 anos apresentaram a maior taxa de impostorismo (56,9%), enquanto aqueles com 60 anos ou mais exibiram a menor (16,7%). Os padrões de burnout seguiram tendência semelhante, com maior ocorrência entre os mais jovens e menor entre os mais velhos.

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Oncologistas enfrentam pressões estruturais persistentes, aponta pesquisa
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Oncologistas enfrentam pressões estruturais persistentes, aponta pesquisa

Oncologistas encontram significado e identidade em suas carreiras, mas ainda assim enfrentam pressões estruturais persistentes e têm a intenção de deixar a prática, de acordo com uma pesquisa global apresentada na Reunião Anual da ASCO. Mais de 25% dos oncologistas pesquisados expressaram arrependimento em seguir a carreira de oncologia. A taxa de esgotamento entre os oncologistas dos EUA aumentou de 34% em 2013 para 59% em 2023, com estimativas globais de até 45%. Menos conhecido é o entendimento sobre a evasão da força de trabalho, já que o esgotamento é frequentemente examinado isoladamente, em vez de considerar outros fatores contribuintes. A pesquisa envolveu 306 oncologistas (150 nos EUA e 156 em outros países) que participaram de uma pesquisa global enviada por e-mail entre outubro e dezembro de 2025. Os resultados mostraram que 33% dos entrevistados relataram trabalhar mais de cinco dias por semana e 57,7% relataram pelo menos cinco semanas de serviço hospitalar por ano. Mais oncologistas relataram estresse relacionado ao trabalho em comparação com satisfação na carreira, sendo que 27,4% expressaram arrependimento em seguir a carreira de oncologia, atribuído ao desequilíbrio entre trabalho e vida pessoal e ao esgotamento. Além disso, 45% dos entrevistados relataram já ter considerado deixar a prática, com uma maior intenção de sair entre os médicos dos EUA. A pesquisadora Coral Olazagasti destacou a necessidade de pesquisas baseadas em intervenção para avaliar mudanças no nível do sistema que possam melhorar o bem-estar dos oncologistas. Ela ressaltou a importância de reduzir as cargas de trabalho e melhorar a eficiência para criar culturas profissionais mais saudáveis e promover mudanças necessárias na profissão.