Os desafios enfrentados pela classe médica no Brasil, devido à abertura desenfreada de faculdades de medicina e à precarização das relações trabalhistas, foram discutidos em um painel. A presidente do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC), Andréa Antunes Ferreira, destacou que essa realidade impacta não apenas os médicos, mas todo o sistema de saúde e a população, resultando no adoecimento dos profissionais e na queda da qualidade do atendimento. Com a abertura indiscriminada de escolas médicas, o Brasil caminha para ultrapassar a média de 3,7 médicos por mil habitantes recomendada pela OCDE. Atualmente, o país conta com 635 mil médicos, o que representa três médicos por mil habitantes. No entanto, com 570 faculdades de medicina em funcionamento, o número de médicos formados anualmente tende a ultrapassar um milhão em breve, tornando a profissão uma "commodity barata". Os efeitos dessa abertura desenfreada de escolas médicas incluem vínculos frágeis, remuneração defasada, pejotização, aumento da judicialização e o adoecimento mental dos médicos. A pejotização, em especial, retira os direitos trabalhistas dos médicos, que são obrigados a atuar como pessoa jurídica, assumindo riscos sem a devida autonomia. Além disso, a judicialização, em grande parte relacionada à insatisfação dos pacientes com as condições de trabalho dos médicos, gera um círculo vicioso que sobrecarrega o sistema de saúde. Para reverter esse cenário, a presidente do CRM-SC propôs que os médicos reassumam o protagonismo e liderança nas equipes, saibam valorizar seu trabalho e que os conselhos de medicina atuem contra a precarização do trabalho médico e a abertura indiscriminada de faculdades de medicina. A mesa redonda foi coordenada por representantes de conselhos regionais de medicina e ressaltou a importância da união das entidades médicas para defender a valorização da profissão e a qualidade do atendimento à população.