Uma publicação conjunta do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria ressalta a importância de cuidar da saúde mental dos profissionais de medicina, defendendo informação, acolhimento e tratamento como medidas preventivas contra o suicídio.
A iniciativa, alinhada à campanha Setembro Amarelo, cita a estimativa da Organização Mundial da Saúde de mais de 720 mil mortes por suicídio no mundo, e registra no Brasil cerca de 15 mil óbitos anuais, aproximadamente 38 por dia.
O material aponta a necessidade de romper com a ideia de que jornadas extensas e sofrimento são normais na profissão. Médicos podem enfrentar depressão, ansiedade, uso de substâncias e outros transtornos; muitas vezes demoram a buscar ajuda por medo do julgamento, vergonha ou culpa. O texto reforça que saúde mental é prioridade e não representa falha de fé ou caráter.
Uma pesquisa nacional com 4.148 médicos brasileiros mostrou que quase 1 em cada 3 já teve ideação suicida em algum momento da vida, com relatos de planos e tentativas, além de associar exaustão emocional e frustração no trabalho a essa vulnerabilidade.
Entre os fatores de risco estão longas jornadas, plantões noturnos, privação de sono, múltiplos vínculos profissionais, contato constante com dor e morte, pressão por desempenho e dificuldade de equilibrar vida pessoal e trabalho.
A cartilha ainda enfatiza a responsabilidade das instituições — hospitais, clínicas, universidades, programas de residência e gestores — em criar ambientes mais seguros, reduzir o burnout, combater o estigma e facilitar o acesso a cuidados especializados.
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