Especialistas defenderam a autonomia técnica do médico do trabalho diante de pressões corporativas, afirmando que a ética médica exige priorizar a saúde e a dignidade do trabalhador, independentemente de interesses da empresa.
Durante o XII Fórum do CFM, o tema central discutiu saúde mental na era digital e os impactos de plataformas como cassinos online no adoecimento da população.
A psiquiatra Renata Nayara da Silva Figueiredo, presidenta da APBr, ressaltou que recursos digitais são projetados para estimular o uso compulsivo, gerando ansiedade, depressão, distúrbios do sono e solidão.
Ela explicou que o foco deve ser o propósito do uso — estudo, comunicação ou lazer — e seu contexto, destacando a relação entre vulnerabilidade e consumo excessivo.
No painel sobre atuação clínica, segurança e judicialização, o tema reuniu questões sobre independência profissional e avanços da IA na saúde ocupacional.
O presidente da ANAMT, Francisco Cortes Fernandes, afirmou que o médico não pode ser visto apenas como recurso produtivo, devendo manter a saúde e a dignidade do trabalhador como prioridade.
O sigilo profissional também foi discutido: o médico mantém informações ocupacionais para gestão de riscos, mas não precisa expor toda a história clínica.
Segundo Alberthy Amaro Defendente Carlêsso Ogliari, o CNJ aponta crescimento de 506% nas ações contra médicos; a pergunta não é se houve processo, mas quando, reforçando a necessidade de alinhamento entre ética e defesa jurídica.
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