O encontro reuniu especialistas para abordar detecção precoce, incorporação de tecnologias, questões judiciais e capacitação profissional.
O Conselho Federal de Medicina realizou o I Webinar de Oncologia Clínica, com foco em aperfeiçoar o uso de terapias aprovadas e discutir os principais desafios da oncologia no Brasil, como prevenção, diagnóstico precoce, inovação tecnológica, judicialização e formação de especialistas.
Na abertura, o presidente em exercício do CFM destacou a importância do tema e a relevância do conteúdo, alinhados às necessidades da população, com a expectativa de contribuir para a melhoria da prática médica e do cuidado aos pacientes.
O coordenador da Câmara Técnica de Oncologia do CFM apontou entraves que dificultam o diagnóstico e o tratamento, entre eles desigualdades entre as redes pública e privada, lenta incorporação de novas tecnologias e desabastecimento de medicamentos. Disse que a oncologia não pode ser privilégio de poucos e deve ser prioridade sanitária e ética.
Os debatedores enfatizaram a urgência de fortalecer prevenção e diagnóstico precoce. O Brasil projeta cerca de 704 mil novos casos por ano entre 2023 e 2025, com expectativa de crescimento expressivo nas próximas duas décadas, além de discutir organização da linha de cuidado e ampliar o acesso às terapias oncológicas.
O vice-corregedor Francisco Cardoso ressaltou ética e autonomia na relação com os pacientes, afirmando que a liberdade técnica deve se basear em evidências e na responsabilidade profissional. Protocolos e regras administrativas não devem substituir o julgamento clínico individual, sendo essenciais o consentimento informado e a decisão compartilhada.
Sobre a formação de especialistas, o país conta com aproximadamente 4.870 oncologistas, o que representa 2,29 profissionais por 100 mil habitantes. Entre 2018 e 2024 houve aumento de 36% no total de especialistas, enquanto o número de residentes do primeiro ano subiu de 190 para 245, cerca de 29% a mais.
O encontro encerrou discutindo a construção de uma agenda mínima para a oncologia brasileira, com foco em ampliar o acesso a tratamentos, melhorar a qualidade do atendimento e fortalecer a formação especializada.
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