Auditoria Médica: diálogo entre auditores e médicos assistentes é caminho para aprimorar práticas e governança
30/07/2026
Acessibilidade
Compartilhar

Auditoria Médica: diálogo entre auditores e médicos assistentes é caminho para aprimorar práticas e governança

Dando sequência às atividades do II Fórum sobre Auditoria Médica do CFM, a mesa-redonda O dia a dia da auditoria médica reuniu representantes de auditoria, assistência, hospitais e da AMB para compartilhar experiências sobre os desafios diários da prática.

Laércio Soares Gomes Filho, membro da Câmara Técnica de Auditoria Médica do CFM, destacou que a função requer equilíbrio entre cuidado, ética e sustentabilidade financeira. Ele ressaltou que a auditoria se constrói pelo diálogo contínuo entre auditor e médico assistente, evitando leituras equivocadas e assegurando que decisões técnicas se baseiem em prontuários, códigos de procedimentos e documentação clínica, com atualização constante dos manuais.

Do ponto de vista do médico assistente, Shirllane Rodrigues de Barros afirmou que o conhecimento técnico da auditoria reduz conflitos e facilita a comunicação entre profissionais. Ela explicou que um prontuário bem elaborado sustenta solicitações, previne glosas e funciona como defesa do médico, além de orientar sobre as coberturas dos planos de saúde e incentivar um diálogo respeitoso com os auditores, fundamentado em critérios científicos e éticos.

A gerente regional de Auditoria Interna da Rede D’Or, Carolina Ery Hosaka de Vasconcelos Henke, apresentou a perspectiva dos estabelecimentos de saúde. Ela ressaltou que médicos, auditores, hospitais e operadoras atuam de forma complementar, não em lados opostos. A auditoria deve ir além da verificação documental e se transformar em instrumento de aprendizagem institucional, identificando fragilidades, causas dos problemas e promovendo melhorias permanentes nos processos assistenciais.

Encerrando a mesa, Marcos Eurípedes Pimenta, representante da AMB, abordou a auditoria médica sob aspectos ético, técnico e profissional. Reforçou que a atividade é privativa do médico e deve ocorrer com autonomia, imparcialidade e fundamentação científica sólida, destacando que o médico auditor não interfere na condução clínica do assistente, limitando-se à análise da cobertura contratual e da pertinência técnica dos procedimentos.

No tema Ética e exercício da auditoria médica, Rosylane Rocha, coordenadora da Câmara Técnica, explicou que a Resolução CFM 2.448/2025 delimita deveres e limites para auditores e assistentes, conferindo maior segurança ética às relações entre profissionais, pacientes e operadoras. Ela ressaltou que o auditor não substitui o médico assistente nem dirige a condução clínica, cabendo revisar a indicação médica, verificar sua fundamentação científica e avaliar a adequação da assistência, resolvendo divergências por diálogo técnico ou junta médica, sem interferência unilateral na autonomia do profissional.

A conselheira ainda destacou que a remuneração dos auditores não pode depender do número de glosas, reforçando que a atuação deve ocorrer com isenção, transparência e respeito às evidências científicas. Dados apresentados na ocasião reforçaram a importância do alinhamento entre as funções para a qualidade do atendimento.

Faça login para comentar
Faça um comentário:

Comentários:

0 Comentários postados

Entre em contato para assuntos comercias, clique aqui.

Veja também: