O aumento no número de escolas de medicina no Brasil tem gerado preocupações sobre a qualidade da formação médica no país. De acordo com dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), já existem 453 escolas médicas em 277 municípios, sendo que quase 270 cursos foram criados entre 2010 e 2025. Essa expansão atinge tanto grandes centros urbanos, como São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Belém e Rio de Janeiro, quanto cidades de menor porte, como Cruzeiro do Sul, Itacoatiara, Barbalha, Camaçari, Ijuí, Canoinhas e Arapongas.
Um levantamento realizado em 2024 pelo CFM mostrou que 78% dos municípios que abrigam escolas de medicina não possuem a infraestrutura necessária para oferecer uma formação adequada, como leitos de internação suficientes, equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) e hospitais de ensino. Diante desse cenário, o CFM e outras entidades médicas defendem a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (ProfiMed) no Congresso Nacional.
O projeto de lei em tramitação na Comissão de Assuntos Sociais do Senado prevê que o CFM atue na etapa final da formação médica, garantindo que os recém-formados atendam a um padrão mínimo de competências clínicas, éticas e técnicas antes de iniciarem a prática profissional. Segundo o presidente do CFM, José Hiran Gallo, o ProfiMed é essencial diante da expansão desordenada de cursos de medicina, que tem resultado em falta de estrutura adequada para o ensino prático e, consequentemente, na formação de profissionais sem a vivência clínica necessária.
Com mais de 270 municípios oferecendo cursos de medicina, muitos sem suporte assistencial adequado, o Brasil enfrenta uma disparidade na qualidade da formação médica de uma região para outra. O ProfiMed surge como uma ferramenta para promover equidade e garantir padrões mínimos de competência para os futuros profissionais de saúde, reduzindo assimetrias e protegendo a sociedade.
A abertura indiscriminada de escolas médicas no Brasil desde 2010 tem origem em decisões tomadas pelo Ministério da Educação (MEC), que permitiram a instalação de faculdades em locais sem estrutura para sustentar a formação médica. O presidente do CFM ressalta que a defesa do ProfiMed vai além de interesses corporativos, sendo uma medida de interesse público para assegurar que todos os cidadãos sejam atendidos por profissionais qualificados, independentemente de onde vivam. Em um contexto de expansão desordenada das escolas médicas, avaliar os egressos tornou-se essencial para garantir a qualidade da assistência em saúde no país.
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