O Conselho Federal de Medicina (CFM) promoveu o I Fórum de Cirurgia Bariátrica e Metabólica com o tema "Tratamento da obesidade e cirurgia bariátrica no SUS". O evento reuniu especialistas e membros da Câmara Técnica de Cirurgia Bariátrica e Metabólica para discutir desafios estruturais da rede pública, evidências científicas, critérios de indicação e estratégias para garantir acesso qualificado e seguimento de longo prazo aos pacientes com obesidade.
No período da tarde, o médico Igor Marreiros destacou os desafios gerados pela falta de integração entre os níveis de atenção e pelos sistemas de informação não interoperáveis. A desconexão entre atenção básica, regulação e serviços hospitalares provoca atrasos na autorização de procedimentos, retrabalho e dificuldades no acompanhamento dos pacientes.
O médico Álvaro Albano apresentou evidências sobre a redução da mortalidade e melhora de comorbidades associadas à obesidade após a cirurgia bariátrica e metabólica. Ele ressaltou que esse tipo de cirurgia é custo-efetiva, pois o investimento inicial é compensado pela redução de gastos com complicações crônicas ao longo do tempo.
O médico Herbert Motta enfatizou a importância do acompanhamento pós-operatório de longo prazo no SUS, destacando a necessidade de um cuidado multiprofissional e protocolado, com monitoramento clínico e nutricional. Ele alertou para possíveis complicações tardias que exigem vigilância ativa e intervenção precoce.
Ricardo Cohen defendeu a ampliação do acesso à cirurgia com base em critérios clínicos e metabólicos, não apenas no índice de massa corporal. Ele ressaltou a importância da concentração de procedimentos em centros de excelência para reduzir complicações e custos.
Gustavo Miguel abordou a integração do cuidado à obesidade na rede assistencial, destacando o papel da Atenção Primária à Saúde como porta de entrada preferencial. Ele ressaltou a necessidade de maior articulação entre os níveis de atenção para fortalecer as estratégias de cuidado integral.
Por fim, Igor Marreiros enfatizou a importância da decisão baseada em dados, defendendo a criação e fortalecimento de registros e a padronização de desfechos como ferramentas essenciais para sustentar políticas públicas no SUS.
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