CRM-PB identifica falhas assistenciais em maternidades ligadas a mortes maternas na Paraíba
11/09/2026
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CRM-PB identifica falhas assistenciais em maternidades ligadas a mortes maternas na Paraíba

Um levantamento promovido pelo CRM da Paraíba cruzou óbitos maternos no estado com deficiências apontadas em fiscalizações realizadas pela própria entidade, apoiadas pela plataforma de inspeção do CFM. O resultado foi apresentado por Andréa Correia Nóbrega de Sá, obstetra e conselheira do CRM-PB, na segunda edição do ENCM 2026, na mesa sobre Segurança Obstétrica e estudos em maternidades paraibanas com base nos levantamentos do Defis.

No ano de 2025, ocorreram 36 mortes por parto na Paraíba, resultando numa taxa de 70,4 falecimentos por 100 mil nascidos vivos, a terceira pior média do país. Destas mortes, 27 foram alvo de investigação pela Comissão, com a maioria ocorrendo no puerpério e causas diretas obstétricas como hemorragia, hipertensão e infecção. Entre as falhas mais citadas estão a insuficiência de hemoderivados, a escassez de vagas em UTIs, a regulação e o transporte inter-hospitalar.

Paralelamente, o CRM-PB cruzou dados com a estrutura das maternidades. Entre oito instituições analisadas, foram identificadas 381 inconformidades, que iam desde medicamentos vencidos até a falta de equipamentos essenciais. “Não podemos afirmar que essas inconformidades foram determinantes ou que uma epinefrina vencida causou a morte, mas fica claro que a segurança do atendimento dependia da disponibilidade de todos os componentes”, afirmou Andréa Correia Nóbrega de Sá.

A pesquisadora destacou que as investigações não tiveram o objetivo de buscar culpados. O objetivo é mapear falhas do sistema para corrigi-las, ampliar a segurança de médicos e pacientes e reduzir mortes evitáveis.

O coordenador da mesa, Bruno Leandro de Souza, presidente do CRM-PB e conselheiro federal, elogiou a Resolução CFM nº 2.056/13, que estruturou os Departamentos de Fiscalização dos CRMs e criou os Roteiros de Fiscalização, afirmando que esses instrumentos ajudam a melhorar a segurança do ato médico e o atendimento.

A mesa contou com a secretária Andréa Antunes Caldeira, presidenta do CRM-SC, e teve como moderador o conselheiro federal pelo Amazonas, Ademar Carlos Augusto.

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