A cada 20 segundos, alguém no mundo perde parte do pé por complicações do diabetes. A mortalidade em cinco anos associada à úlcera do pé diabético supera vários tipos de câncer, o que motivou a realização do I Fórum Nacional de Pé Diabético, promovido pelo Conselho Federal de Medicina, com foco em prevenção, diagnóstico precoce, avanços terapêuticos e fortalecimento da assistência no Brasil.
Ao final do encontro, a Câmara Técnica de Endocrinologia e Metabologia apresentou uma carta com propostas para aprimorar o cuidado: ampliar a informação sobre o pé diabético, reconhecer a morbimortalidade elevada, estruturar redes de saúde, regular a assistência, garantir acesso às terapias disponíveis e avaliar com rigor as opções promissoras, além de delimitar o ato médico e as responsabilidades profissionais.
Na abertura, o presidente do CFM destacou o crescimento da diabetes, impulsionado por mudanças nos hábitos, e ressaltou que, em áreas vulneráveis, a dificuldade de acesso a serviços de saúde favorece a progressão da doença, levando a consequências graves como cegueira, amputações e mortes.
Geisa Maria de Macedo, integrante do Grupo de Trabalho sobre Pé Diabético, traçou um quadro sombrio: cerca de 20 milhões de pessoas têm diabetes no país; se 30% desenvolverem úlcera no pé, seriam aproximadamente 6 milhões, dos quais 20% necessitarão de amputação, equivalentes a 1,2 milhão. Estima-se ainda que 10% faleceriam no primeiro ano após o diagnóstico, cerca de 120 mil mortes.
O conselheiro Antônio Carlos Sanches ressaltou que a diabetes representa um grave desafio de saúde pública, impactando a qualidade de vida e elevando custos para o sistema. O enfrentamento, segundo ele, depende da atuação integrada de diferentes especialidades médicas.
Ao discutir a redução das internações, Carlos Magno questionou a viabilidade do acompanhamento domiciliar para quadros menos graves. Eliud Garcia Duarte explicou que nem sempre é possível, pois muitos pacientes chegam já com perdas renais, cardíacas ou oftalmológicas, e ainda destacou o elevado risco de suicídio entre esses pacientes.
Ao longo do fórum, especialistas e representantes de sociedades médicas defenderam o reforço de programas de educação, capacitação de profissionais e prevenção do diabetes e de suas complicações. Essas ações são vista como essenciais para reduzir amputações, incapacidades, mortalidade e custos, além de melhorar a qualidade de vida. Também foi defendida a implantação, pelo Ministério da Saúde, de uma linha nacional de cuidado para padronizar condutas e organizar o fluxo de atendimento, contribuindo para diminuir o número de amputações.
Entre em contato para assuntos comercias, clique aqui.